Saturday, November 18, 2006

“GRANDE É A POESIA” de Fernando Pessoa

Alberto Caeiro

 O Meu Olhar

 


 

     O meu olhar é nítido como um girassol.
     Tenho o costume de andar pelas estradas
     Olhando para a direita e para a esquerda,
     E, de vez em quando, olhando para trás…
     E o que vejo a cada momento
     É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
     E eu sei dar por isso muito bem…
     Sei ter o pasmo essencial
     Que tem uma criança se, ao nascer,
     Reparasse que nascera deveras…
     Sinto-me nascido a cada momento
     Para a eterna novidade do Mundo…

     Creio no mundo como num malmequer,
     Porque o vejo.  Mas não penso nele
     Porque pensar é não compreender …

     O Mundo não se fez para pensarmos nele
     (Pensar é estar doente dos olhos)                  
     Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

     Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
     Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
     Mas porque a amo, e amo-a por isso,
     Porque quem ama nunca sabe o que ama
     Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
     Amar é a eterna inocência,
     E a única inocência não pensar…

 


 

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Thursday, November 9, 2006

ANTÓNIO MOTA na Biblioteca

O Galo da Velha Luciana

 

Autor: António Mota

 

A velha Luciana, tinha um bicho que muito estimava: um galo. No entanto, as cores que o vestiam não eram exactamente idênticas às dos outros galos. Os velhos mais velhos que a velha Luciana, não se recordavam de seus avós terem falado de galo parecido.

 

 

Se Tu Visses o Que Eu Vi

Autor: António Mota

Se tu visses o que eu vi… desatavas a fugir… uma sardinha a mamar… e um pinto a latir. Se tu visses o que eu vi… ficavas de boca aberta… uma cabra com sete rabos… em cima de uma caneca. Se tu visses o que eu vi… nunca mais te esquecias… uma mosca a escrever poemas… e um lobo a pescar enguias. Se tu visses o que eu vi… muito havias de rir… comias a sopa… toda… e voltavas a repetir.

 

                          Abada de Histórias

                              Autor: António Mota

Era uma vez uma velha tão sovina, tão avarenta, tão unhas-de-fome que nem a roupa lavava em condições para não gastar sabão. Era uma vez um menino que só conseguia desenhar cabras. Era uma vez uma franga pedrês que desapareceu de repente. Era uma vez um presépio que ficou sem o menino Jesus…

                                                                                                                               

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